Uma família em Bratislava- parte II

Para percebermos um país é preciso conhecer a sua história. Não basta dizer que os eslovacos são reservados e frios, é necessário assumir as nossas diferenças, perceber e aceitar. Aposto que eles também estranham o falarmos alto e sorrirmos tanto. No sábado, marcámos uma visita guiada para conhecermos mais a história do que foi a Eslováquia no seu período comunista. A visita foi feita num Skoda original da época e visitámos os locais ligados à época do período comunista.O facto é que a Eslováquia é um país mais aberto aos outros apenas desde 1993 e, vinte e cinco anos, é muito pouco tempo na história de um país. Para falar dos outros, temos de os conhecer.

Quando a estrangeira sou eu...

Ao tentar regressar a casa de autocarro, perguntei ao motorista se ia para o local onde moramos. Gritou-me: NIE! Repeti duas vezes e ele voltou a gritar, quase explodindo,vermelho e enfurecido :NIE! NIE! NIE! Cada NIE era um vai-te embora, sai daqui! Lágrimas apareceram-me nos olhos e ele arrancou furioso. Aqui, com exeção do centro da cidade onde estão mais habituados a turistas, não nos sentimos bem recebidos. O Gonçalo disse-me que em Portugal um motorista não falaria assim com alguém, mas eu lembrei-o da jovem colombiana que foi esmurrada no Porto. Nunca tinha sentido a angústia de me falarem assim por ser estrangeira, mas que me sirva de exemplo para receber melhor quem vem de fora.

Uma família com esperança por Bratislava

Bratislava é uma cidade fácil de visitar: é pequena, mas cheia de história(s) e os preços são mais baixos do que na vizinha Viena. Se o Luís não estivesse cá a trabalhar, talvez não passássemos por aqui mais do que duas ou três noites, mas está a valer a pena descobrir esta cidade devagarinho... Certa vez disse aos meus filhos que eram importante construirmos memórias felizes (roubei a frase algures). Desde essa altura, quando lhes interessa, utilizam o que eu disse para me convencerem a fazer algo. Foi assim que me vi em cima de um segway a conhecer Bratislava. Embora, de início, relutante, gostei bastante da experiência e serviu-me de lição: é tão bom perder receios e deixar-me levar..